O Colégio Estadual do Campo São João da Colina, em Pitanga, na região central do Paraná, precisou adiar o retorno às aulas desta quarta-feira (5) para 10 de fevereiro, uma vez que o local abriga indígenas que perderam suas casas após um conflito entre as aldeias Serrinha e Ivaí, da etnia Kaingang.
A briga aconteceu na madrugada de 4 de janeiro deste ano e foi motivada por divergências sobre lideranças. Cerca de 60 casas da aldeia Serrinha foram incendiadas. Relembre detalhes abaixo.
O cacique da Serrinha, Valmir Olivério, disse que as famílias vão para uma propriedade privada, de maneira provisória, para que o colégio seja liberado.
"Nós vamos sair da escola para outro lugar. Só que no momento está chovendo bastante e não tem como sair daqui", explicou.
O diretor do colégio, José Facchin, afirma que a outra propriedade fica próxima à escola e que o colégio será desocupado até o fim da semana.
De acordo com ele, para que os alunos não sejam prejudicados, as aulas que iriam acontecer nesta semana serão repostas antes do início do recesso de julho.
"O recesso de julho começa dia 5. E nós vamos até os dias 5, 6 e 7 para repor esses três dias que nós atrasamos agora", declarou.
Aldeias se reuniram, mas não chegaram a um acordo
O impasse entre as aldeias da Serrinha e de Ivaí se intensificou depois de um conflito registrado na madrugada de 4 de janeiro.
Na ocasião, após uma briga entre as duas aldeias, sete pessoas ficaram feridas e 350 indígenas da aldeia Serrinha ficaram desabrigados após terem as casas queimadas pela aldeia Ivaí.
Em 7 de janeiro, as aldeias e o Conselho Estadual dos Povos Indígenas fizeram uma primeira reunião, que não resultou em um acordo entre as comunidades.
Os indígenas da comunidade Ivaí não concordaram que a comunidade da Serrinha continuasse vivendo nas terras em que estava. Por outro lado, os indígenas da Serrinha não quiseram ceder o local aos rivais.
Em outra reunião no dia 16 de janeiro, indígenas da aldeia Ivaí propuseram receber os membros da aldeia Serrinha, com exceção de 16 famílias consideradas por eles como causadoras do conflito.
A proposta foi rejeitada pelos indígenas da Serrinha, que optaram por permanecer no abrigo com as 16 famílias.
Relembre detalhes do conflito
Briga entre aldeias termina com 200 indígenas Kaigang desabrigados e 60 casas queimadas
242 indígenas, entre eles 35 crianças, precisaram ser abrigados em uma escola após um conflito entre aldeias da etnia Kaingang. Depois, o número de indígenas foi atualizado para 350, pois alguns deles não estavam no local durante a confusão.
De acordo com a Polícia Militar (PM), a briga aconteceu na madrugada de sábado (4). Na confusão, pelo menos sete pessoas tiveram ferimentos graves e 60 casas foram incendiadas.
Foi apurado que os membros das duas aldeias viviam em uma só comunidade até o começo de 2024, mas se separaram depois que começaram a divergir sobre questões de liderança.
Segundo a PM, o conflito de sábado começou depois que indígenas da aldeia Ivaí, da cidade de Manoel Ribas, foram de carro até o limite com a aldeia da Serrinha, em Pitanga, para cuidar de máquinas agrícolas que estavam aplicando veneno em uma lavoura.
No local, ainda conforme a PM, os indígenas de Ivaí foram espancados pelos membros da aldeia rival.
O registro da PM diz, também, que após as primeiras agressões, indígenas da aldeia Ivaí souberam da confusão e foram até o local, onde começou uma briga generalizada.
Seis pessoas ficaram gravemente feridas e foram internadas em um hospital de Manoel Ribas. Outras pessoas tiveram ferimentos leves e foram socorridas por equipes da Secretaria Municipal de Saúde de Pitanga.
No conflito, os indígenas que viviam na aldeia da Serrinha tiveram as casas e veículos incendiados.
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